Picnics quer espaço

O Picnics Urbanos está em busca de um espaço para desenvolver seus trabalhos. Nossa idéia é conseguir lugares onde possamos dar continuidade às nossas pesquisas, ensaios e apresentações. Dividir espaços com outros grupos e artistas é uma ótima alternativa. Portanto, se você souber de algum lugar para nos indicar ou quiser se juntar ao grupo nesta busca, enviamos nossos contatos abaixo:

E-mail
picnicsurbanos@gmail.com

Telefones
Danilo Dilettoso - (11) 7661 6972
Fernando André Ramos - (11) 6726 2657
Helder Capuzzo - (11) 8365 6401





















proposição para cenas distantes, 5 de dezembro de 2008.






NÃO TEMOS
CULPA QUE O SILÊNCIO
ESTEJA TÃO CARREGADO DE
SENTIDOS.













osmir, 30 anos

finge ser sempre o outro, por isso é realmente difícil saber quem ele é. até que um dia ele se reconhece.

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alex, 27

gosta de muitas coisas, mas o que ele mais gosta é de comer.



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Sem nome, 26

desempregado e precisa arranjar dinheiro para pagar aluguel. tem problemas de memória.


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pensar em espaços. a distância da mensagem, da imagem e da ação.













ter um espaço amplo, que pode ser ajustado. três planos simultâneos. predominantemente escuro. a luz será calculada.

abrir espaço para o público e para nós mesmos. informações econômicas sobre os personagens. abrir espaço.

um piano e um baralho, ou damas, ou reversi. um preto e branco.
a sopa e a coreografia partilhada.

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o impensável é um porão velho.

e eu me divertindo nele.

Cinza

Cinza. Eu gosto da cor cinza. Gosto também do nome cinza. Combina com a cor.
Assim como amarelo combina com amarelo.
Coloquei a cor cinza em todas as minhas janelas.
Não tenho muitas roupas cinzas, talvez seja uma questão de tempo... assim como fotografias que antes de serem antigas e cinzas foram momentinhos coloridos.






No próprio momento em que digere o objeto, o artista é digerido pela sociedade que já encontrou para ele um título e uma ocupação burocrática: ele será o engenheiro dos lazeres do futuro, atividade que em nada afeta o equilíbrio das estruturas sociais. A única maneira, para o artista de escapar da recuperação é procurar desencadear a criatividade geral, sem qualquer limite psicológico ou social. Sua criatividade se expressará no vivido.



L. Clark, 1969: "O corpo é a casa"



pra mais tarde



acabei ficando perdida de novo.
acabei-me perdida.
não levantei quando me chamaram.
não me chamaram talvez.
levei umas flores na mão que mais gosto.
apertei os cabos delas até que me doesse.
a lembrança da dor é sempre mais doída.
engraçado, a lembrança de uma alegria nem chega perto.
mas não é pra agora o que eu digo;
é pra esta tarde, e pra o que não acontece nela.

poema do fernando pessoa sobre a lavadeira:


A lavadeira no tanque
Bate roupa em pedra bem.
Canta porque canta e é triste
Porque canta porque existe;
Por isso é alegre também.

Ora se eu alguma vez
Pudesse fazer nos versos
O que a essa roupa ela fez,
Eu perdeira talvez
Os meus destinos diversos.

Há uma grande unidade
Em, sem pensar nem razão,
E até cantando a metade,
Bater roupa em realidade...
Quem me lava o coração?






me diga todas as verdades, me diga as mentiras e o que quiser. eu estou em um bar, na verdade, não estou, mas é como se eu estivesse. escrevo não sendo eu, mas sendo ele. lembro-me de mim deitado no chão da sua sala e dezenas de copos espalhadas por nós, na verdade, não havia dezenas de copos, no máximo três, para mim, para vós e para o gato. depois rastejando íamos para o quarto e mais mentiras. tudo derretendo e mais mentiras.









hoje eu estive bastante tonto e meu coração acelerado, mas era somente meus pensamentos cruéis que permaneceram mais que presentes durante todo o dia. tentei disfarçar, até fechei os olhos, mas o corpo, como um todo, continua eletrizado. não sei se tomo um comprimido ou um destino. tentei ocupar-me com uns livros que eu gosto. escovei os dentes para tirar esse gosto amargo dos dias da minha boca irremediável. conto-te um problema e você me abraça fortemente. agora pode começar a dizer.








eu, como grande garimpeiro que sou de tudo o que é feito pelas pessoas deste grupo, reescrevo aqui o que me escreveram há tempos e tempos:






o mais doce dilema
é aquele que mora
numa rua pequena






sob a escada lê-se:

um par de tênis azul, par de tênis vermelho.

e a menina pequena, quase bebê de tão sem consciência, afirmava com insistência, porém sem teimosia:

-eu tenho dois sapatos! dois!

dizendo isso,referia-se ao fato de ao ser presenteada com sapatos,ter a sorte de ganhar dois de cada vez,e exatamente iguais. era uma menina que gostava de sapatos,então era como se ela ganhasse sempre duas bonecas,idênticas, cor-de-rosa febre. Sem nunca se dar conta de que ganhava dois pelo número de pés que possuía. Não, ela achava mesmo era muita sorte tudo isso.

-você tem sapatos?

os adultos ao redor,cheios de tanto calçar sapatos, apenas mostravam os seus por debaixo das barras das calças sem nenhum entusiasmo.

-eu tenho dois! eu tenho dois!


e o seus pés eram pequenos.bem pequenos. mas não dava dó.

dava um pouco de alegria olhar pra eles.

















e.hopper







por um cruel momento, você na foto me olha.
de repente,não ri mais comigo,mas de mim.







"A terra atrai irresistivelmente o homem, arrebatando-o na própria correnteza dos rios que, do Iguaçu ao Tietê, traçando originalíssima rede hidrográfica, começa da costa para os sertões, como se nascessem nos mares e canalizassem as suas energias eternas para os recessos das matas opulentas.

(...)

E por mais inexperto que seja o observador - ao deixar as perspectivas majestosas que se desdobram ao sul, trocando-as pelos cenários emocionantes daquela natureza torturada, tem a impressão persistente de calcar o fundo recém sublevado de um mar extinto, tendo ainda estereotipada naquelas camadas rígidas a agitação das ondas e das voragens."

Li que percepção requer envolvimento. Buscamos sempre uma memória sensorial para tudo, mesmo sem a certeza de estarmos em sonho ou despertos. Quero poder um monte de coisas. Ter voz, ouvidos e movimentos treinados. Sentir meu dedo empurrar o martelo na corda do piano.

Quero podermos um monte de coisas. Termos voz, ouvidos e movimentos treinados. Sentirmos nossos dedos empurrarem o martelo na corda do piano... a sensação comum que permeia, individualmente, cada um dos fios.




não, não olhe para trás, não agora. conto o passado sozinho porque ele não sabe de nada. eu entristeço e você nada. nada nas profundezas e o que resta a nós é o tempo que não vivemos. agora percebo.
quando nascemos não somos únicos, somos?
agora estou só.
só dos tudos. e tudo me parece tão pouco. o tempo colocou-me um nó na garganta, o chamemos assim. poupo-lhe dos lamentos, mas derramo, transbordo pelas beiradas.
estou assim quieto, imóvel para que eu mesmo não perceba todo esse cansaço que esses dias me causaram. em outro momento, talvez longe daqui, ví-me carregando uma criança já grande no colo, descíamos uma longa escada e quando embaixo chegávamos, a criança era eu. ela chorava. derretia e voltava a ser água.









Cavei a terra com meus dedos, atras de um texto que sumiu no ar depois de muito trabalho duro. Quis recuperar os assuntos, mas aprendi que o ponteiro do relogio só volta se a gente por o dedão lá, só com vontade não da pra mover nada. Não posso me esquecer de apertar o ctrl c pra salvar os textos, ai pelo menos os texto se salvam, porque tem coisas que ja não da mais, nem atrasando o relogio, nem andando de fasto.

Nem plantando bananeira.

Nem imitando o sid moreira.

Nem chorando muito.

Nem chorando pouco.

Essa titica de vida é irreversivel, só da pra voltar indo pra frente ate virar um adulto bem imbecil.

Ate virar um completo idiota.

Ate ser chamado de coisa.

Ai a gente para. Porque não da mais. Desistir é preciso.

Se esta tudo ok para ambas as partes é melhor fechar negocios.

É melhor chegar portas.

É melhor fechar os olhos.

É melhor fechar o coração pra não se machucar? ou comprar mercúrio?

Casar ou comprar uma bicicleta?

Ir almoçar na casa da sogra ou virar atleta?

E no fim das contas não da no mesmo?

E no fim da contas a gente não conta as moedas no fundo do bolso?

E no fim das contas a gente não paga com cartão pra pensar que não esta pagando?

A gente é sem culpa porque nosso sono merece essa maracujina, tambem chamada de auto-engano.